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Gatos e outros tipos de estofos
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Nome: Rezendes
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Quando me vejo ao espelho, de quem são aqueles olhos que me olham? De onde vieram estes lábios com que te beijo todos os dias? Estes cabelos que aqui tenho, herdei-os de onde e quando? De que filhos de outros filhos me vieram estas memórias? Pedaço após pedaço, descubro que não sou ninguém e que aquele que aqui está apenas o está por empréstimo.

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  • Domingo, Novembro 12, 2006

    O desvio

    D

    e quando em vez acontece, uma pessoa pensa que vai por um lado e dá por si de súbito a enveredar por outro caminho, e isto não é por distracção nem por azelhice, é assim mesmo, faz-se confiança no instinto de orientação ou na sinalização que se vê plantada por aí e, como se dizia, dá-se com os burrinhos na água, que é o mesmo que fazer asneira, indo parar a um lado qualquer que nunca viu nos dias da sua vida, nem muito menos nas dos outros, quem lá mora pode saber por onde anda, mas quem não sabe é como quem não vê e está o caldo entornado, anda-se para ali às voltas e voltas, acabando-se por ir parar ao mesmo lugar, tão desconhecido como era dantes, para dizer a verdade um pouco menos, uma vez que já o tínhamos visto há pouco, há quem desista e fique por ali, mas outros, mais pertinazes, investem furiosamente por ínvios caminhos na secreta esperança de finalmente descobrir o almejado rumo, é no que dá não se investir nestas coisas dos gepeesses, e ignorar com sobranceria os tais planos tecnológicos, anda-se à roda como o pião, mais valia andar a pé que sempre se podia ir deixando umas migalhas, que são coisas que se aprende na infância e que nunca se sabe se podem vir a ser úteis num dado momento da nossa vida, nos dias que correm já não se pode atirar seja o que for pela janela do carro senão apanha-se uma multa, o que é que o senhor condutor ia a atirar pela janela do carro?, eu, senhor agente, sim, o senhor, pois eram migalhas, senhor agente, para ver se dava com o regresso no caso de me perder, o senhor condutor deve estar a brincar comigo, eu não, senhor agente, então o senhor condutor não vê ali os sinais que lhe indicam as direcções, pois vi, senhor agente, e orientei-me por eles e vim aqui parar outra vez, é porque o senhor condutor não viu com atenção, vi, vi, senhor agente, se calhar ia a falar ao telemóvel, eu não, senhor agente, nunca faço isso quando vou a conduzir, e, se quer que lhe diga, nem sequer parado o utilizo muito, pois devia utilizar mais, porque podia telefonar a alguém para lhe ensinar as direcções, se calhar tem razão, senhor agente, mas como as pessoas que conheço não são destas bandas também não ia ajudar muito, então o que vem o senhor aqui fazer?, queria ir visitar uma exposição que há para estes lados, mas agora penso que já nem vale a pena porque com o tempo que levei às voltas creio que já fechou, pois devia ter vindo mais cedo ou estudado o percurso antes de se meter à estrada, eu bem tentei, senhor agente, mas não me serviu de muito, que isto parece um labirinto e se uma pessoa vai devagar aparece sempre alguém atrás de nós de mão colada na buzina, e com razão, que não se pode andar a entupir o trânsito, eis um bonito exemplo da solicitude dos agentes da autoridade, não é por mal, mas quem devia levar uma multa é quem andou a deixar que surgissem estes prédios por todo o lado e estas ruas que parecem não levar a lado nenhum a não ser para quem por lá anda dia após dia, e o mesmo se podia dizer para outros ramos da actividade humana, mas isso levar-me-ia por outros caminhos e por outros desvios.

    Posted by: Rezendes / Domingo, Novembro 12, 2006
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