Estou num grande dilema, que agora com a proximidade da feira do livro surge-me a tentação de comprar este e aquele título, uns para guardar para leitura de férias, outros para ir lendo até lá, e começo a ter uma enorme falta de espaço em casa, com pilhas amontoando-se por aqui e por ali, isto a somar ao resto da tralha que para aqui tenho, uma boa parte herdada e outra que advém das minhas manias, a dos quadradinhos e a de coisas de outros tempos, a que não será alheio o hábito de ir guardando tudo e mais alguma coisa, apesar de a casa não ser assim tão grande, que já vai com duas divisões (fora corredores) atulhadas quase até ao tecto, acho mas é que os bichos do papel devem fazer grandes festarolas cá em casa, para já não falar de traças e outros seres vivos de que nem sei os nomes, que também não têm por hábito convidar-me lá para tais arraiais, apesar de lhes ceder o espaço e as vitualhas, mas não me passam cartão, ignoram-me sobranceiramente, que é coisa que não me posso dar ao luxo de fazer quando convido á, bê ou cê para cá jantarem, mas enfim, são educações, e eu nunca vi bicharada mais mal educada do que esta que cá tenho.

A questão que se me coloca é onde pôr as novas aquisições, se em cima dos montes já em equilíbrio precário e onde a empregada mal se atreve a limpar o pó, com medo de aquilo desabar tudo, ou então, pura e simplesmente, deixar de comprar livros ou oferecer os que para aqui tenho e que já li, que é mania de gente como eu guardar livros que já leu e por cujas páginas se calhar nunca mais voltará a passar os olhos, filmes engarrafados em caixinhas de plástico e fitas magnéticas que mais tarde ou mais cedo ficam cheias de bolor e também imprestáveis para novos visionamentos, além de que já me desfiz de um ou outro, mas quando se começa a querer escolher é que o problema se agudiza, mais dia menos dia dou mas é em minimalista e pronto.