Pessoas. As pessoas. As pessoas têm vidas. Casas. Mulheres. Maridos. Pais. Filhos. E há as que não têm nada. E nos seus rostos lê-se um vazio marcado por silêncios inexoráveis, por tristezas infindas. Ou às vezes por nada. Porque essas pessoas nada têm. Nem casas. Nem mulheres. Nem maridos. Nem pais. Nem filhos. Nem mesmo um simples silêncio nos rostos. Muito menos sorrisos. O tempo caiu-lhes de repente sem sequer saberem de onde, e o que fazem é apenas ignorá-lo, como quem passa de lado por uma esmola que nem é dada, sem reparar na mão e nos olhos que ali estão, negros, castanhos, azuis, verdes, cinzentos, sem cor, com lágrimas que secaram por já nem saberem que o são, por não se recordarem mais como se chora.