
Ao diabo já não lhe bastava ser diabo, tem ainda o desgraçado que ser surdo, cego e mudo. Pelo menos é o que muita gente deseja que ele seja sempre que lhe rogam umas pragas quando vêm à mão de semear. Mas que venha à mão de semear é coisa lá não muito aconselhável, até porque o diabo já tem mais que fazer depois de amassar o pão que há gente que come sempre que não tem muita vontade de o fazer, e que pelos vistos também engole sapos vivos, coisa decerto nada agradável, que os sapos mortos já são suficientemente viscosos; vivos, então, nem se fala, eu cá nunca comi nenhum, nem vivo nem morto, embora pelos vistos haja para aí muitos que passam a vida nisso, depois não se queixem, deve ser uma questão de masoquismo, mas há gostos para tudo.
Além do mais há ainda aqueles que constantemente proferem o nome dele, precedido de pronome, ou, se quisermos, de determinante, que diabo, que diabo, devem ser crentes, deve ser isso, pois com certeza, senão não andariam com o nome dele debaixo da língua.
Depois há os adoradores. Não devem ter mais nada para fazer na vida, senão deviam era adorar outras coisas, mulheres, homens, seja lá de que tendência forem, que aqui também não me vou pôr a fazer discriminações, estou mesmo a ver que ainda vêm uns que me vão acusar de postes abichanados, já uma pessoa não pode ser politicamente correcta e ainda tem que ouvir coisas destas.