Será que vemos para o outro lado dos vidros como se fosse
uma fotografia antiga? Será que vemos os outros como sombras
de um passado ou de um presente? Será que aqueles que encontrámos
são meras imagens esbatidas pela memória? Será que aqueles que partem
nem reparam naqueles que ficam? Será que as portas abertas apenas abrem
para janelas fechadas? Será que há quem parta e quem fique?
Ou será então que nem vemos aqueles que deixamos,
ou que nem queremos ver? E que nada mais somos
do que reflexos numa fotografia a preto e branco e a cor?